19/06/2009

Primeiro mês

Assumi como Oficial de Justiça na cidade de Palhoça no dia 15 de dezembro de 2008. Era de tarde, eu já sabia da aprovação no concurso e ligava constantemente para o Fórum querendo saber notícias da nomeação. Naquele dia resolvi não ligar, não queria ser evazivo e inconveniente, já que minhas ligações eram constantes.

Ficava sem sair de casa, principalmente de perto do telefone, esperando uma ligação dizendo que estava tudo certo para que eu pudesse assumir logo na minha nova função.

Mas naquela tarde fui com um amigo, André, para a Lagoinha da Brava, no norte da ilha. Chegando lá, ao parar o carro, o telefone tocou. Gelei. Era da secretaria do Fórum, solicitando que eu fosse com urgência até lá para ser empossado no cargo tão esperado e que eu deveria estar lá em uma hora, no máximo. Correria total, trânsito parado e caótico, mas consegui chegar em tempo.

No meu primeiro dia em Palhoça conheci o pessoal que, a partir daquele momento, fariam parte da minha vida cotidiana.

Nos dias seguintes, fiquei na “Central de Mandados”, lugar este que é o “QG” dos Oficiais de Justiça do Fórum. Aliás, tem uma placa na recepção do prédio onde indica os setores e salas e uma das indicações diz "Oficialato de Justiça". Esta expressão eu não conhecia: O-F-I-C-I-A-L-A-T-O. Chique, não?

Outra descoberta foi porque temos duas mulheres que trabalham neste cargo lá: Viviane e Poliane. Descobri, portanto, que elas são Oficialas. Assim mesmo. Não são Oficiais de Justiça, mas sim, Oficialas de Justiça. Assim como "escrivão". O feminino é escrivânia, apesar de que o linguajar popular já adotou o escrivã.

Vivendo e aprendendo, sempre.

Não demorei muito para entender o fluxo usado para o nosso trabalho. A cidade de Palhoça é divida por Zonas e cada uma dela é composta por um certo número de bairros. Minha Zona era a 02, que compreende os bairros Passa Vinte - juro que tentei descobrir o porquê do nome, mas não consegui. Dizem que é um rio que tinha por lá - Caminho Novo e São Sebastião.

O mandado (que é o documento onde tem a "ordem" do juiz) sai do Cartório (1ª, 2ª e 3ª Vara Cível, 1ª e 2ª Vara Criminal) para a Central de Mandados - nosso QG - e é distribuído pela Responsável dos Oficiais que coloca em suas respectivas prateleiras.

Nos casos de Juri, as pessoas a serem intimadas como Jurados, compreendem todos os bairros, ou seja, não necessariamente estão na Zona de minha competência. Meu primeiro mandado, portanto, foi intimação de uma senhora chamada Elaine, que foi selecionada como jurada, numa Sessão de Júri que aconteceria na cidade.

O problema dos mandados de intimação do Juri, é que nem sempre tem o endereço completo. Neste meu primeiro caso, por exemplo, tinha somente o nome e profissão.

A única informação que eu tinha é que ela morava perto da Lotérica. Lotérica? E agora? Havia três na região central.

Mas, cidade pequena é assim... Inclusive muitas tem seus personagens históricos e um deles que eu já tinha conhecimento é o “Betinho da Farmácia” que era dono, obviamente, dono da “Farmácia do Betinho”. Foi ele quem me informou onde morava a Sra. Elaine: “na rua do lado da lotérica, número “tal”. E lá fui eu.

Fui prontamente atendido e expliquei que eu era o novo Oficial de Justiça, inclusive frisando - todo orgulhoso - que ela foi a primeira pessoa da minha profissão.