19/11/2009

Sonho com suco

Já faz um bom tempo que eu não escrevo, mas porque novembro é meu último mês na região das praias e para que eu não deixasse nada pendente por aqui, passei esses últimos dias bem ocupados.

Hoje foi designada a nova região e a partir de dezembro, assumirei a região denominada Zona 06, que é composta pelos seguintes bairros: Jardim Eldorado, Jardim das Palmeiras, Jardim Aquarius, Loteamento Coqueiros, Loteamento Pedra Branca, Unisul, Brejarú e Frei Damião, sendo estes dois últimos regiões onde não há saneamento básico e há péssimas condições de moradia, considerado como “uma parte esquecida da cidade”, como dizem seus moradores. Certamente, um novo aprendizado está por vir...

Por falar em esquecimento, a região das praias será sempre boas lembranças, as quais eu não pretendo esquecê-las. Aqui, de todas as regiões que já passei, conquistei boas amizades – de todas as idades.

Uma delas é o Alan, um menino que tem os pais separados, de aproximadamente uns oito anos, mora com a mãe e que me ajudou a encontrar a residência do seu pai para que eu entregasse uma intimação de audiência referente à pensão alimentícia dele. Foi num dia muito quente, pela manhã, havia intimação para o pai e a mãe (que na ocasião, representava o Alan). Passei primeiro na casa dela e questionei onde morava o ex-marido, sendo que não sabia como chegar lá.

Mais do que rapidamente ele gritou:
- “Eu posso te levar lá...”

E a mãe concordou, mas disse:
- “Antes tem que comer alguma coisa, não comeu nada desde que acordou...”

- “Já comi, mãe!” – disse ele, já se arrumando para ir comigo. E fomos.

Ele sentando no banco de trás, indicando o caminho para chegar até a casa do pai, que fica numa rua sem saída próximo de um supermercado grande da região. Eu conversando com ele, olhando pelo retrovisor, até que ao virar uma esquina ele se abaixou bem rápido, ficou bem encolhido atrás do banco do motorista e disse:

- “É aquele! Meu pai está lá no final da rua, é aquele moço que está sentado no muro...”

Parei o carro bem antes, uns cinquenta metros, e fui lá. Entreguei a intimação, expliquei do que se tratava e entreguei a contrafé pra ele. Tudo certo. Voltei ao carro e lá estava o Alan, na mesma posição, encolhido, imóvel e disse sem levantar a cabeça:
- “Conseguiu, moço?”
- “Consegui sim, mas fica mais um pouco abaixado até que eu vire a esquina” – e assim ele fez.

A felicidade dele estava estampada no olhar como quem quer dizer: “missão cumprida!”.

Na volta, como estava muito calor, passei no supermercado que era perto para comprar água. Perguntei se ele queria alguma coisa e, meio envergonhado disse:
“- Jura que não vai contar pra minha mãe? É que quando eu saí de casa eu não tinha comido nada. É que eu não queria perder a chance de dar uma voltinha de carro e agora eu tô com fome, mas ela pode brigar comigo se ela souber que eu pedi alguma coisa”.

Que dó...

Resumindo: nós dois, sentados na pracinha da praia da Pinheira, comendo sonho de creme e tomando suco de caixinha. Missão cumprida!