07/05/2010

Figurinha repetida

O dia das mães está chegando, porém, é uma data que passa despercebida para muita gente, principalmente para a maioria das pessoas e isso foi o que constatei hoje.
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Nos últimos dias estou atarefado com a região da Barra do Aririú, do outro lado da cidade e nem tive tempo de cumprir mandados na região da comunidade Frei Damião.
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Uma nova amiga, leitora do blog - que pediu seu anonimato - me questionou o que eu faria no dia das mães e respondi que levarei minha mãe para almoçar numa churrascaria de Palhoça onde, numa outra ocasião, já fui com ela e gostou muito. Por conta disso, essa "nova amiga" ofereceu um almoço para um casal com um filho do Frei Damião para almoçar no dia das mães nessa churrascaria - casal este que eu poderia escolher por contra própria - já que ela não conhece o local como eu.
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Foi uma escolha fácil, mesmo porque são poucos casais que possuem apenas um filho e hoje, deixei um pouco o trabalho na Barra do Aririú de lado e fui no Frei Damião convidar meus escolhidos. Cauã e seus pais.
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Cauã é o menino que esperou o Papai Noel, que não apareceu porque não conseguiu passar pela vala por conta das chuvas. Seu pai é o moço que há anos não tinha feito sua carteira de trabalho porque teve um "problema" na justiça e tinha medo de ser preso (tudo isso já foi contado em outras publicações).
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Cheguei e só estava Cauã e sua mãe. Conversando sobre a minha ausência por conta do trabalho em outra região e sobre outros assuntos, perguntei o que eles fariam no domingo - dia das mães.
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- "Nada - respondeu a mãe de Cauã - ficaremos em casa. Estou de folga essa semana e vou poder descansar um pouco".
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Prontamente fiz o convite, perguntando se gostariam de almoçar comigo e minha mãe no domingo, já que será dia das mães. Timidamente não negaram, mas queriam esperar o pai de Cauã chegar para ver se ele toparia.
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Enquanto isso, sua mãe foi lavar louça e fiquei conversando com Cauã (o menino da foto acima) que me disse com ar de incerteza:
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"- Eu acho legal ir almoçar, porque nunca fomos em restaurante. Mas eu não tenho presente pra minha mãe, então eu acho que não vai dar..."
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Percebi que ele tinha imaginado que, para almoçar num restaurante no dia das mães ele teria que levar um presente. Expliquei que o almoço seria um presente, assim como seria com minha mãe, como se fosse um momento diferente, para a gente conversar, se divertir.
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De repente ele disse:
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- "Já sei! Tenho um álbum de figurinhas da Copa do Mundo, vejo se tem alguma repetida, vendo e posso comprar um presente pra minha mãe!"
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Começou a me mostrar as figurinhas - tinha umas 15 - e quando chegou ao final, percebeu que não tinha nenhuma repetida. Fez uma cara de desânimo, como quem diz: "não deu, e agora?" Fiquei sem chão.
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Soube por ele que vendem figurinhas do álbum numa padaria perto a R$ 0,20 centavos o pacotinho com três. Aí sugeri: "Vamos fazer assim, eu tenho umas moedas no carro, compramos uns pacotinhos e quem sabe vem alguma repetida." E lá fomos nós comprar as figurinhas, foram vinte pacotinhos, R$ 4,00, 60 figurinhas.
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- "Vieram 16 repetidas"! - gritou ele todo feliz. Para "facilitar" eu disse: "Que legal, eu tenho um amigo (mentira!) que não tem essas daí, então deixa que eu compro e dou pra ele. Eu compro por R$ 0,25 cada uma, pode ser?"
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Ele - na inocência - ainda disse que estava muito caro por uma figurinha, porque um pacote com três vale bem menos. Fiquei até com vergonha mas justifiquei que, "já que meu amigo não tem e quer muito", não teria problema, "ele" ia querer mesmo assim. Troquei as figurinhas repetidas por R$ 4,00.
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Na hora me convidou para irmos numa loja de R$ 1,99 que tem de tudo, inclusive onde comprei os materiais escolares na campanha do começo do ano. Ele, todo faceiro com R$ 4,00 na mão disse para a funcionária da loja que já me conhecia: "quero comprar um presente pra minha mãe. Tenho R$ 4,00!" -pisquei pra ela que entendeu o porquê de estarmos ali.
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Mostrou umas canecas coloridas, colares, objetos de decoração, brincos, canetas e muitas outras opções. Percebi que ele gostou da caneca e de um par de brincos e eu disse: "Cauã... quem sabe um brinco, porque daí seria um presente só pra ela e não pra casa". Com isso, a moça disse que faria os dois pelo preço de R$ 4,00. E assim foi. Fez um pacote lindo, vermelho, cheio de recortes e ele saiu comigo da loja sob o olhar dos funcionários, todo cheio de pose...
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Quando estávamos chegando perto do meu carro, antes da casa dele, me pediu que o pacote ficasse comigo e que eu guardasse no porta-malas dizendo:
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- "A gente faz assim: lá no restaurante quando todo mundo estiver sentado, tu faz de conta que vai no banheiro e eu vou junto, aí pega o presente no carro e eu faço uma surpresa pra minha mãe, pode ser?"
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Óbvio que achei fantástica a idéia e topei na hora. Deixamos o pacote no carro e fomos na casa dele, encontramos seu pai, que aceitou o convite do almoço e eu os pegarei no domingo, às 11h30min para irmos almoçar todos juntos... que venha a surpresa!
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Por fim, quero desejar à todas as mães do mundo (em meu nome e em nome do Cauã) que Deus as abençoe sempre em agradecimento por ter nos colocado no mundo. Ainda, um vídeo que demonstra que podemos fazer tão pouco com uma simples demonstração de carinho.
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BOM FINAL DE SEMANA!

FELIZ DIA DAS MÃES!