04/05/2010

A menina do porta-retrato

Na semana passada, tive a felicidade de conhecer Sabrina, mais uma personagem que marcará presença no meu cotidiano profissional.
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É uma menina linda, aparentando uns quatro, no máximo cinco anos, cabelos loiros, curtos e mal cortados, olhos verdes e sujinha de terra, porém, com um sorriso lindo.
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Eu estava cumprindo um mandado de audiência na rua Treze de Maio, a principal da comunidade Frei Damião e percebi que Sabrina me seguia - um pouco atrás - como se estivesse me acompanhando. Percebi também que ela segurava uma sacola plástica - de mercado - e conversando com ela, me mostrou o que tinha dentro: uma boneca suja, duas canetas velhas e uma fotografia dela um pouco rasgada nas beiradas.
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Notei que - com o entusiasmo que ela me mostrou aqueles objetos - era tudo o que ela tinha e era somente aquele seu divertimento. Na ocasião eu disse: "vamos colocar essa foto num porta-retrato?" Deu um largo sorriso com um ar de confirmação e prometi que na próxima semana levaria o porta-retrato para colocar sua foto.
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Ontem fui cumprir um mandado numa casa que me chocou, tamanha a miséria, pobreza e abandono. Dois cômodos, um deles sem piso, somente no chão de terra, roupas e brinquedos de crianças jogados bem como utensílios de cozinha sujos e amontoados num canto da casa. Sinceramente, pensei que fosse uma casa abandonada.
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Uma mulher veio me atender e informou que sua filha - a destinatária do mandado - não estava, não sabia para onde foi, tampouco quando voltaria. Assim sendo, lendo com mais calma o mandado e seus anexos, verifiquei que trata-se de uma ação onde a mãe perde a guarda dos filhos por ser usuária do crack, bem como pelas más condições de sobrevivência e educação familiar sendo que as crianças foram levadas pelo Conselho Tutelar.
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Durante a leitura - a surpresa - uma das duas filhas envolvidas na questão é Sabrina, a menina do porta-retrato.
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Abaixo, o vídeo da campanha da RBS: "Crack, nem pensar" - que dispensa comentários.