28/06/2010

31 em 28

Hoje, 28 de junho, completo 31 anos bem vividos. Como qualquer pessoa, com altos e baixos e muito aprendizado. Tenho somente que agradecer tudo o que aconteceu em minha vida, desde o nascimento até os dias de hoje, inclusive agradecer pelos amigos de sempre. Aliás, foi com os velhos e novos amigos que tive a bela oportunidade de comemorar meu aniversário em grande estilo.
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O "Primeiro Carreteiro Oficial" no último domingo superou as expectativas de todos, num almoço de confraternização onde conseguimos arrecadar muitas roupas e cobertores, bem como um valor em dinheiro que dará para ajudar muito mais pessoas do que o esperado.
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Aniversário com pessoas que possuímos um carinho especial é uma comemoração mais do que importante. Me senti presenteado por saber que nunca estou só, que posso ter boas pessoas do meu lado e apoio nos momentos de dificuldade, mesmo que estes momentos não sejam meus.
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O mundo precisa de pessoas assim, iluminadas, que trazem uma marca registrada de companheirismo, dignidade, fidelidade e acima de tudo, solidariedade.
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Porém, a solidariedade foi o maior presente de aniversário que já recebi pois sem esse espírito de companheirismo, o "trabalho de formiguinha" não faria tanta diferença.
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Obrigado por tudo, de coração. Obrigado à todos, aos que participaram e aos que não puderam ir, mas sei que estavam lá em pensamento, torcendo para que tudo desse certo. E aguardem - pois relatarei todas as doações que serão feitas bem como - mais uma vez - estendo o convite para quem puder e quiser me acompanhar nas entregas.
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Abaixo, um vídeo emocionante que relata bem o sentido da palavra solidariedade.
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"Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se." (Augusto Cury)

23/06/2010

O valor de um abraço

Por conta do meu aniversário e da idéia do almoço beneficente no próximo domingo, recebi várias doações de amigos. Roupas, cobertores, lençóis e alimentos. Deixo no porta-malas do carro e na medida em que vou na comunidade Frei Damião - dependendo da família e da situação - entrego as doações.
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E foi isso que aconteceu hoje. Mais uma família desconhecida que recebeu alguma ajuda. Porém, esta - sinceramente - foi a mais especial de todas as experiências que tive até hoje.
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Conheci a Sra. Marlene, que mora com as duas filhas e três netos. Ela tem - aparentemente - uns 60 anos, trabalha como faxineira mas está parada por problemas de coluna. Cuida dos netos enquanto suas duas filhas (uma é mãe das três crianças, um menino e duas meninas) são empregadas domésticas em casas de famílias em Florianópolis. Contou que logo estarão de mudando para a cidade de Xanxerê onde trabalharão num sítio, sendo que - segundo ela - terão uma vida bem melhor do que a atual.
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A casa, além de ser emprestada, é uma das mais pobres que já vi. Forrada de vegetação, o que a torna mais úmida das demais. Sem condições.
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Ela mora no final da favela, quase divisa com a cidade de São José e eu precisava encontrar um fulano para uma audiência de emergência. Segundo ela, não o conhecia, apesar de que a maioria das pessoas conhecem mas não falam, porque geralmente prevalece a Lei do Silêncio.
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Já passava das 11h30min e ela me disse:
- "Espera um pouco que estou esperando minha vizinha que deve estar chegando. Quero ver se ela tem farinha pra eu fazer pirão no almoço pras crianças. Quem sabe ela conhece o moço..."
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No instante em que ela me falou sobre a farinha, fiquei imaginando se aquele seria o único almoço dela e das crianças. Fiquei constrangido em perguntar, mas para puxar assunto eu disse:
- "Pirão é a comida que eu mais gosto. Como a senhora vai fazer?"
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E ela respondeu:
- "Fazendo oras... pirão d'água. Água quente e farinha. Fica muito bom porque esquenta mesmo porque não tem outra coisa pra colocar... ovo, linguiça, nada..."
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Bingo! Descobri que realmente era somente o pirão que iam almoçar. Eu disse a ela que eu tinha alguns alimentos e roupas no carro que eu trouxe caso alguém precisasse e perguntei se ela se importaria de eu dar pra ela.
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Sorridente, nem precisou responder.
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Foi comigo no carro e quando abri o porta-malas, peguei a sacola que continha um pacote de bolacha de chocolate, um pacote de arroz, um de café e dois de feijão. Quando ela abriu a sacola disse, na maior felicidade:
- "Olha! Feijão! Faz tempo que não como feijão..."
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Mais do que rapidamente ela me deu um abraço demorado e apertado, como forma de agradecimento sem dizer nada como se tivesse ganhado o melhor presente do mundo. Eu fiquei totalmente sem reação, imaginando que algo para alguns parece ser insignificante e para outros, vale demais.
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Ao mesmo tempo, senti que aquele abraço foi um dos mais puros e sinceros que eu já recebi. O abraço dela valeu muito mais pra mim do que os donativos que ela recebeu.
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Esqueci até da audiência...
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Abaixo, um vídeo sobre o valor do abraço onde, infelizmente perdemos este tão belo e simples hábito, mas quem sabe, é falta de treino. Vale a pena vê-lo.

Hoje eu aprendi com uma senhora desconhecida, simples e de vida difícil, que o abraço e o contato humano nos faz melhorar como pessoa e além de tudo, renova nossas energias.
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Abrace muito, abrace sempre, abrace! Não custa nada, não dói e faz muito bem! E eu sou a prova disso...

UM GRANDE ABRAÇO À TODOS! ATÉ DOMINGO!

18/06/2010

Ordem e progresso

Não podemos negar que a Copa do Mundo contagia todo mundo. Até mesmo aqueles que não gostam de futebol ficam - sem perceber - ansiosos em dia de jogo da seleção brasileira. Para muitos, os problemas somem ou ficam menores, ficam mais alegres esquecendo do cansaço e das dificuldades diárias.
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Assisti o primeiro jogo do Brasil na comunidade Frei Damião, na casa do Cauã com sua família - a mesma que foi almoçar conosco no dia das mães - e foi muito divertido e diferente. Uma casa de um cômodo apenas, sem conforto algum, mas que não prejudicou em nada a alegria daquele momento.
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O pai de Cauã duvidou que eu fosse aceitar o convite de assistir o jogo em sua casa. Comprei dois pacotes de salgadinhos e refrigerante. A folia foi grande. Cauã chamou mais dois amigos que prestaram mais atenção no refrigerante do que na vitória do Brasil. Mas valeu demais e principalmente porque percebi que a simples presença na casa deles, valeu muito mais do que a vitória do Brasil.
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Depois do jogo - aproveitando a alegria do pessoal - saí com Cauã para tentar cumprir alguns mandados de audiência que eu tinha naquela região. Consegui cumprir mais do que eu esperava, graças à vitória do Brasil!
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O que percebi com todas as mais de vinte pessoas que conversei depois do jogo, que aquele momento de alegria fez com que esquecessem - nem que por algumas horas - dos problemas e das dificuldades que possuem. O mais importante é que, apesar de tudo, faz com que "renasça" o orgulho do nosso país, o que reforça ainda mais a esperança de que tudo tende a melhorar.
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O vídeo abaixo que fiz com a música da Copa e fotos do Frei Damião demonstram isso.
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Por fim, aproveito para agradecer aos amigos que ficaram sabendo do almoço beneficente no próximo dia 27 de junho e, mesmo não podendo comparecer, já fizeram doações de roupas e cobertores, brinquedos e livros. Distribuí para algumas famílias, sendo uma em especial: um casal com um filho pequeno que dormiam num colchão de solteiro, somente. A criança dormia no meio dos dois para poder se esquentar, apenas com uma colcha para os três. Sem comentários.

Sei que este almoço será um sucesso, que dará tudo certo e podemos - todos - ajudar muita gente, principalmente nesses dias frios e chuvosos que estão por vir. Mais uma vez ressalto o convite de quem quiser entregar os donativos no Frei Damião, é só combinar comigo, seja no dia do almoço ou no decorrer da semana.

Tenham um maravilhoso e abençoado final de semana!