07/07/2010

O preço da solidariedade

"Uma tarde, um menino aproximou-se de sua mãe que preparava o jantar, e entregou-lhe uma folha de papel com algo escrito. Depois que ela secou as mãos e tirou o avental, ela leu:
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- Cortar a grama do jardim: R$ 3,00
- Por limpar meu quarto esta semana: R$ 1,00
- Por ir ao supermercado em seu lugar: R$ 2,00
- Por cuidar do meu irmãozinho quando você vai às compras: R$ 2,00
- Por tirar o lixo toda semana: R$ 1,00
- Por ter um boletim com boas notas: R$ 5,00
- Por limpar e varrer o quintal: R$ 2,00
- TOTAL DA DÍVIDA: R$ 16,00
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A mãe olhou para o menino, que a aguardava cheio de expectativas. Finalmente, ela pegou um lápis e no verso da mesma nota escreveu:
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- Por levar-te nove meses em meu ventre e dar-te a vida: NADA
- Por tantas noites sem dormir, curar-te e orar por ti: NADA
- Pelos problemas e pelos prantos que causastes: NADA
- Pelos medos e preocupações que me esperam: NADA
- Por comida, roupas e brinquedos: NADA
- CUSTO TOTAL DO MEU AMOR: NADA
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Quando o menino terminou de ler, com os olhos cheios de lágrimas, abaixo da sua lista escreveu:
- TOTALMENTE PAGO."
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Assim somos nós, adultos, como crianças, querendo recompensar pelas coisas boas que fizemos. É difícil de entender que a melhor recompensa é o resultado da solidariedade: mudança para melhor seja para quem for, sensação de dever cumprido, saber que - pelo mínimo que seja - mudou a vida de alguém, mesmo que este alguém seja desconhecido.
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A solidariedade está fazendo com que a vida de muitas pessoas mudem. Tudo por conta da valiosa arrecadação que tive por conta do almoço do meu aniversário que ainda rende bons frutos. A cada entrega de cobertores, roupas e cestas básicas, é uma recompensa: um olha de felicidade, um sorriso tímido em forma de agradecimento, um abraço, emfim... isso realmente não tem preço.
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Agradeço à todos - mais uma vez - pelas doações (e que ainda continuam) e saibam que juntos, fizemos mudanças - para melhor - na vida de muitas pessoas.
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Uma situação marcante foi da Sra. Zina, uma senhora de idade, 82 anos. Soube que ela foi, de certa forma, abandonada pelas filhas. Vive de favor na casa dos outros e de doações. Conseguiu um cômodo na casa de uma conhecida igreja. Ela é amiga da família do pastor Assis, filho do Edmar, o menino que saiu na capa do jornal comigo, que me ajudava na favela. Eu já conversei com ela em algumas situações na casa deles, inclusive, sabendo da situação dela, já levei uma cesta básica no último Natal, coisa que ela nunca esquece e sempre comenta.
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E tive a felicidade de reencontrá-la. Estava frio e passando à procura de umas pessoas, vejo a Sra. Zina na frente da casa, encostada no muro, vendo a movimentação da rua. Parei o carro, cumprimentei e fui conversar com ela. Me contou - mais uma vez - que as filhas a abandonaram e que é muito triste com isso. Chorava muito, toda emocionada. Para mudar aquela situação eu disse que tinha ido ali para levar um presente à ela.
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Tirei um edredom do porta-malas do carro, novo, no plástico e o semblante dela mudou na hora. Abriu aquele sorriso, se emocionou, ficando abraçada na embalagem. Aquilo me tocou muito e me disse que: são coisas assim que acontecem na vida dela - a solidariedade das pessoas - que faz com que ela esqueça da tristeza que possui com relação ao abandono das filhas...