26/10/2010

Briga em família

No último domingo, recebi uma ligação da mãe de Cauã dizendo que seu marido estava machucado por conta de uma briga com a irmã dele, cunhado e sobrinho. Para quem é novo leitor ou não se lembra de quem é Cauã, foi uma das crianças que eu conheci na comunidade Frei Damião; que me vendeu suas figurinhas repetidas para comprar um presente para sua mãe e que foi almoçar com minha família no dia das mães.
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Pois bem, o motivo da briga – que não vem ao caso – é algo bem sem importância, que numa simples conversa poderia ter sido resolvido ali mesmo.

Hoje cedo fui visitar o pai do Cauã – que por sua vez ficou meu amigo nas andanças pela comunidade Frei Damião – e ele estava com um corte no rosto, ombro inchado e costas marcadas.

Percebi que o incidente do final de semana deixou a família de Cauã bem abalada, além da briga fiquei sabendo que entraram na casa, levaram e estragaram mantimentos e tentaram quebrar móveis – e isto, felizmente não aconteceu.
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Como Cauã estava um pouco assustado ainda e como eu tinha percebido a situação deles com relação aos mantimentos, o convidei para dar uma volta comigo, dizendo que eu iria ao mercado perto para fazer umas compras para uma tia minha (mentira, só um motivo para tirá-lo de casa e comprar as coisas para eles). Passamos no escritório de uma advogada amiga minha, conversamos um pouco, pois, na realidade quis matar um pouco do tempo para que chegasse perto do meio-dia para que pudéssemos levar almoço para seus pais, já que sua mãe tinha saído para o trabalho e retornaria somente ao meio-dia.


Conversando com ele, percebi o quanto é insignificante a vida no seu ponto de vista. No meio da conversa ele me perguntou: “se meu pai morresse, tu poderia ser meu pai, né?”. Respondi que não, porque ele não “iria morrer”.
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E continuando sobre o assunto família, ele me contou que sua mãe está grávida, mas que não sabe se é menino ou menina porque ele “pode não estar vivo até lá”, pois explicou que “se até o tio dele deu uma paulada no pai, qualquer um pode fazer pior”. Disse que de hoje em diante não vai mais falar com os primos e com ninguém que conversar com a família dos que agrediram.
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Depois que chegamos, deixamos as compras em sua casa e conversei mais um pouco com seu pai. Felizmente, pela conversa percebi que ele não tem pensamento de vingança, pensa muito em seus pais que são idosos e moram no Paraná, no Cauã e principalmente porque convivem na mesma rua, sendo separados apenas por duas casas.
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Fiquei muito feliz e com sentimento de ter ajudado em algo, porque seu pai disse que, depois que sua família me conheceu, pensa muito diferente em tudo, principalmente porque, o que se faz de mal para os outros, vem em dobro pra nós.
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Uma coisa é certa: brigas – não só em família - são como incêndios: surgem de uma fagulha insignificante e se alastram de tal forma que suas conseqüências são imensuráveis e incontroláveis.
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Sejamos sinceros em dizer que, na maioria das vezes, deixarmos o orgulho de lado é mais difícil do que tratar bem as pessoas que não te fazem o bem.
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Ei, que tal mandar um e-mail, uma mensagem, um telefonema bacana para aquele parente que te fez algo que te deixou mal por alguma palavra mal dita ou um comportamento que te deixou chateado ou com raiva? Depois quando morre, não adianta chorar, hein?

Não custa nada, relaxa o coração, tira “peso das costas” e evitam futuras tristezas.