19/01/2011

Um pouco de atenção basta

Tenho visto muita gente com coração bondoso, tendo em vista que ainda continuo recebendo doações para as pessoas da comunidade Frei Damião.

Recebi muitas, mas muitas roupas e na tarde de hoje, encontrei um ponto de entrega de doações para os desabrigados e desalojados na tragédia do Rio de Janeiro e por conta disso, tomei a liberdade de entregar as doações que estavam comigo. Comentei com algumas pessoas que tinha feito isso, com o intuito de informar a existência do ponto de entrega e, para a minha surpresa, recebi comentários irônicos, como quem quer dizer "não vou ajudar, não é problema meu". Engano seu, bobalhão. Problema de um é problema de todos.

Para quem não leu ainda, no dia 13 de março de 2010 fiz uma publicação sobre a parábola da ratoeira, onde ressalto que "problema de um, é problema de todos" e é bem isso que acontece. Mas é simples: sejamos corajosos e vamos imaginar: sua casa, seus móveis, todos os seus pertences somem da noite pro dia, sem dinheiro, sem saber o que fazer, sem ter para onde ir. Você ficaria feliz em receber alguma ajuda, por mínima que fosse? Tenho certeza que sim.

Enfim, quando entreguei as doações no ponto de arrecadação - SOS RIO, em Palhoça - fiquei sabendo que estão necessitando de material de limpeza e higiene, água mineral, além de alimentos não perecíveis. Roupas, apesar de necessárias, estão recebendo bastante.


Portanto, para quem quiser ajudar o pessoal do sudeste do Brasil pela catástrofe que devastou aquela região, podem entrar em contato por e-mail - contosoficiais@gmail.com - que informo minha conta bancária. Pensei em comprar produtos de higiene, água sanitária e água mineral. Caso tenha alguma outra sugestão, obviamente será bem-vinda.

Já que estamos falando em solidariedade, ao meu ver, há situações que mais parecem um balcão de negócios onde fazemos mais por interesse do que por amor, doação. Ajuda-se alguém carente na esperança de receber o perdão dos céus, dá-se um presente na expectativa de receber outro em troca e até mesmo nos casais, onde um dá carinho esperando a retribuição do outro.

Muitas vezes sem querer, esquecemos que podemos dar algo mais valioso do que um bem material, seja com um olhar atencioso, um sorriso ou um pouco de atenção.

Uma vez li em algum lugar, sobre um milionário europeu que deixou sua vida em sua cidade para ajudar os mais necessitados na África. Relatou que, em nenhum momento alguém lhe pediu dinheiro, mas sim atenção, inclusive crianças pedindo que ele brincasse com elas.

A sensação de solidariedade franca que ele teve ao dar um pouco de atenção para as crianças, eu - felizmente - vivi hoje. Passei algumas horas da minha tarde com a família da Sra. Maria de Paula, que vive na comunidade Frei Damião num aterro de lixo, sem muitas condições de sobrevivência.

Ela já tinha me convidado algumas vezes para um café em sua casa, mas na correria do dia-a-dia nunca dava certo. Até que um dia fiquei sabendo que ela comentou que talvez eu não fosse na casa dela porque ela é muito pobre. Hoje tirei uma parte da minha tarde para eles.

Reservei um bolo na Padaria Mãe Maria - sempre presente nas minhas "aventuras" - comprei uns livros para pintar, duas caixas de lápis de cor e fui pra lá.

















A felicidade e o carinho das crianças, a empolgação em pintar os livros, posar para fotos, brincar de bola, comer o bolo - não tem preço.

Muitas vezes esquecemos que tão importante quanto ajudar com bens materiais, é um pouco de atenção, com um simples olhar acompanhado de um sorriso sincero.

Achei um texto na internet - de autor desconhecido - que narrava a vida de um homem muito rico que morreu e foi recebido no céu. Segundo conta, o anjo guardião levou-o por várias alamedas e foi lhe mostrando as moradias. Ao passarem por uma linda casa com belos jardins, o homem perguntou:

- "Quem mora aí"?
- "É o Francisco, aquele seu jardineiro que morreu no ano passado".

O homem ficou pensando: "Puxa! o Francisco tem uma casa dessas! Aqui deve ser muito bom!". Logo a seguir, surgiu uma outra casa muito mais bonita:

- "E aqui, quem mora"?
- "Aqui é a casa da Olívia, que foi sua faxineira".

O homem ficou imaginando que, tendo seus empregados magníficas residências, sua morada deveria ser, no mínimo, um palácio. Estava ansioso por vê-la. Nisso, o anjo parou diante de um barraco construído com tábuas e disse:

- "Esta é a sua casa"!

O homem ficou indignado!

- Como é possível? Vocês sabem construir coisa muito melhor!!!
- "Sabemos", respondeu o anjo, "mas nós construímos apenas a casa. O material é selecionado e enviado por vocês mesmos. Você só enviou isso"...


Cada gesto de amor e partilha é um tijolo com o qual construímos a eternidade. Tudo se decide por aqui mesmo, nas escolhas e atitudes de cada dia. Ser solidário não é - necessariamente - doar bens materiais, mas sim, com pequenos atos que fazem uma grande diferença. Comece o dia amanhã com um sorriso de "bom dia" para a primeira pessoa que encontrar ao acordar. Já é um grande gesto que pode significar muita coisa e - principalmente - não custa nada.

Provavelmente, na próxima publicação, falarei sobre a campanha de material escolar, sendo que ainda estou juntando dados para verificar as crianças necessitadas e o que precisarão no ano letivo. Aí está uma oportunidade de ser solidário para quem não sabe como, viu?

"Cada dia que amanhece assemelha-se a uma
página em branco, na qual gravamos os nossos
pensamentos, ações e atitudes. Na essência,
cada dia é a preparação de nosso próprio amanhã."

Chico Xavier