11/04/2013

A listinha

"Até onde você vai na vida depende de
ser terno com os jovens, paciente
com os idosos, simpático com os esforçados
tolerante com os fracos e fortes.
Porque em algum momento da vida você
vai descobrir que já foi tudo isso."
George Washington

A frase acima é o que pensei quando conheci um casal de idosos ao cumprir um mandado hoje na Praia de Fora, em Palhoça/SC. Mas antes de ler o restante desta publicação, peço a gentileza de ver o vídeo abaixo para entender o sentido do texto de hoje:


Era uma intimação simples de audiência para os dois.
A casa fica num morro e eles moram na parte debaixo, como se fosse um porão.


Ele é cadeirante, com uma perna amputada e dificuldade na fala e movimentação nas mãos.  Não escreve e enxerga pouco. Observa mais do que fala, mas gosta de conversar e é muito carinhoso.

Ela conta que sofreu um princípio de AVC há aproximadamente um ano, conversa bastante (e eu nem gosto, né?) e é muito agradável.

Depois de explicar pausadamente sobre a audiência, grifar com caneta marca-texto a data, hora e local, fiquei ouvindo suas histórias.

Aliás, é nesta hora que me identifiquei com a frase inicial desta publicação. Percebi o quanto foi importante para eles eu ter paciência para ouvi-los. E no decorrer da conversa, consegui identificar algumas necessidades dos dois.

Quando eu estava chegando na casa, um moço estava saindo. Ele trabalha num mercado próximo do local e tinha ido levar umas compras feitas a pedido da senhora. Eram poucas coisas: um pacote de frango congelado, uma caixa de suco, duas maças, um pacote de papel higiênico e um sabonete.

Voltando à conversa com a senhora, explicou que ele usa fraldas e que nem sempre tem no posto de saúde. Não soube falar sobre medicamentos mas o que ela mais tem dificuldade é na compra de mantimentos e produtos de higiene.

No meio do papo ela pergunta:
- "Marcus, você conhece algum político?"
- "Não, senhora, porque?" - respondi
- "Porque eu queria fazer uma listinha do que precisamos".
- "Eu faço pra senhora".
E ela começou a ditar:
- "Arroz, macarrão, adoçante, leite, frutas, "verdurinha", papel higiênico, xampu e sabonete. Cesta básica não é bom porque muita coisa que vem não podemos comer. Deu, só isso".
- "Tá bom, quem sabe eu encontro alguém que possa ajudar".

Na hora de ir embora ela disse: "quer almoçar com a gente, hoje tem frango!" - agradeci e disse que apareceria outra vez para conversarmos mais. E como promessa é dívida...

... é neste momento que entramos na história!


Amanhã, como estou atuando naquela região, vou tentar passar por lá e ver o que mais precisam (o inverno está chegando!) e neste final de semana vou montar uma "cesta básica personalizada" para levar para o casal até a próxima quarta-feira.

Quem quiser ajudar, pode mandar e-mail para contosoficiais@gmail.com.

Por fim, o importante não será apenas os mantimentos, as doações, mas sim a atenção dada aos dois. Que se sintam lembrados, acolhidos.

Lembrando sempre que um pequeno detalhe pode fazer uma grande diferença!