07/03/2014

O rabo está abanando o cachorro


Leia os textos abaixo com atenção.
E sei que você se identificará em algumas das situações.

“José foi assaltado. Levaram o carro dele. Ao chegar em casa de táxi, ele imediatamente assumiu a culpa pelo roubo: “eu dei bobeira, não deveria ter parado naquele semáforo”.
Maria foi estuprada, e quase morreu. Ao prestar depoimento, ela deixou bem clara sua responsabilidade pelo episódio: “eu vacilei, não deveria ter ido comprar pão sozinha”.
Um ladrão arrancou o telefone celular das mãos de João enquanto ele atendia uma ligação. Ele – o João, e não o ladrão – assumiu total culpa pelo crime: “eu não sei onde estava com a cabeça quando fui atender uma ligação no meio da rua”.
Maria foi morta durante um assalto. Ela gritou e acabou levando um tiro. Por ocasião de seu enterro, Maria foi condenada por todos os presentes: “que estupidez dela ter gritado, todo mundo sabe que durante um assalto o melhor é ficar em silêncio”.
Mário, um dedicado Policial Militar, foi morto a tiros por traficantes do morro no qual morava. Seus familiares, entrevistados por um jornalista, o recriminaram duramente: “ele sempre foi cabeça-dura, nunca quis esconder a farda quando voltava para casa”. 
Carlos estava jantando com sua namorada em um movimentado restaurante quando uma quadrilha armada saqueou todos os clientes. Seu futuro sogro não gostou: “este rapaz é um irresponsável, ele sabe muito bem que não estamos em época de ficar bestando por aí, jantando fora, e acabou passando por um assalto e traumatizando minha filha”.
Joel entrou em um subúrbio com o caminhão da empresa para entregar pacotes de biscoito nos bares de lá. Após ter tido os produtos e o caminhão roubados, e quase ter sido morto, foi despedido por seu chefe: “que sujeito burro, ir com o caminhão lá naquele bairro sem pedir licença para o líder do tráfico local”.
Patrícia viajou a negócios. Desembarcou no aeroporto com seu “notebook” e tomou um táxi. Não conseguiu andar dois quarteirões – foi assaltada em um semáforo. Na empresa, foi imediatamente repreendida: “você não poderia ter desembarcado sem antes esconder o “notebook”, deste jeito você pediu para ser assaltada”.


Com todos os exemplos acima, que já faz parte do nosso dia-a-dia, é notável que estamos vivendo um absurdo.

Nas idas e vindas do meu trabalho, eu vivo assim. Hoje é normal alguém ter medo de andar nas ruas, é comum eu não mostrar minha carteira funcional com o símbolo do Poder Judiciário e mais ainda, dar um "jeito" dos traficantes das comunidades onde eu faço os trabalhos sociais, saberem da existência das campanhas em "seus territórios" para que não haja nenhum problema. E nunca, nenhum problema aconteceu.

Contudo, há a sensação de que as "vítimas" estão se transformadas em culpadas caso aconteça algum crime.

A questão é que a GRANDE CULPA é nossa por continuar votando em que não merece, que não faz nada que não seja em benefício próprio e se assim for, sempre nos comportaremos como uma sociedade frágil e desvalorizada.

Porém, não devemos esperar pelo resultado das urnas, mas podemos começar agora, sendo menos omissos, procurar mecanismos disponíveis de defesa (denúncia anônima, por exemplo) e principalmente não cruzar os braços.